Gente que faz – Professor Carlão por Regina Rousseau

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Gente que faz – Professor Carlão



Educar é tarefa para poucos. É uma eterna construção do conhecimento - para si e para os outros, na tarefa de transformarmos meninos e meninas em cidadãos e cidadãs.

“Vamos nos fazendo aos poucos, na prática social de que tomamos parte”, como disse Paulo Freire. Dar aula é mais fácil. Educar requer mais carinho mais empenho,  mais dedicação à arte de escrever.


Ao escrever este texto, confesso ainda emocionada como no dia da Homenagem ao Professor Carlão, realizada na USP pelos alunos, professores, funcionários, familiares e amigos, por ocasião da sua aposentadoria, onde ele foi docente da unidade, atuando por décadas. Durante a homenagem, várias pessoas se manifestaram. Todas destacaram as qualidades de Carlão como esposo, casado com Célia, há quase 48 anos, entre namoro e noivado, portanto, se conhecem há felizes 55 anos; pai, dois filhos, duas noras e oito netos, todos presentes, amigo, engenheiro e professor. Desde muito jovem, Carlão teve uma formação Salesiana, onde aprendeu a viver a pedagogia de Dom Bosco, que tem como princípios o amor, a razão e a religião.

Todas suas ações estão fundamentadas nessa pedagogia, também chamada de “amarevoleza” que em síntese significa viver bem com Deus e com as pessoas. Licenciado e Bacharel em Química, iniciou a carreira de professor no Colégio São Joaquim. Começou sua vida acadêmica na FAENQUIL, lecionando Química Geral II, mais tarde, Química Geral I, depois Inorgânica I e II, Química Orgânica I e II e por último Química Orgânica Experimental.

Ao mesmo tempo, lecionava também no Colégio São Joaquim e na Faculdade Salesiana de Filosofia Ciências e Letras de Lorena, para o curso de Ciências e Matemática. Resumindo, dos dez períodos do curso de Engenharia Química, lecionava em sete deles! Pouco tempo depois passou a ser Coordenador dos Laboratórios, depois, do Vestibular e Chefe da Divisão de Ensino.

Mais tarde, eleito Diretor da FAENQUIL onde permaneceu por sete difíceis, desafiadores e felizes anos. Nesse período a FAENQUIL passou por situações financeiras dificílimas, quase encerrando suas atividades acadêmicas e as pesquisas do Cemar e Cebiq. Mas graças a um grande número de pessoas que se uniram em torno de uma causa comum, salvaram a Instituição, tornando-a pública. Esse grupo era constituído pela direção, muitos professores, funcionários, pelos alunos, pais de alunos, políticos da região e a sociedade em geral. Com essa forte união conseguiram estadualizar a faculdade e ainda mais, criaram um ótimo colégio técnico de química.

De março de 1991 até junho desse ano, iam todos os dias até a Assembleia Legislativa com um ou dois ônibus levar sua causa ao conhecimento dos deputados, tentando sensibilizá-los para que votassem um projeto de Lei para a estadualização.

Finalmente, no dia 12 de junho a Assembleia Legislativa aprovou o projeto, transformando a FAENQUIL numa autarquia estadual de regime especial.

Foi emocionante! Logo após a aprovação, cantaram o hino nacional em lágrimas. Nesse dia, toda a comunidade acadêmica, com muitos pais de alunos, estava presente a esse vitorioso movimento, repleto de ética e cidadania! Isso aconteceu numa época onde a moda era a privatização, que conseguiram estadualizar a tão querida FAENQUIL, permitindo então a continuação de um ensino de engenharia de qualidade e da realização de pesquisas de ponta, de alta tecnologia e de interesse nacional.

E hoje, a vida da FAENQUIL, com a chegada da era USP está caminhando rapidamente para um futuro brilhante, com novos cursos, novas pesquisas, novos funcionários, novos professores, tudo o que nosso Brasil precisa para ser um grande país.

Entre as características mais mencionadas pelos oradores surgiram o seu espírito conciliador e solidário, a sua capacidade de agregar pessoas, o seu comprometimento com o ensino e a sua dedicação aos alunos.

Como ex aluno de Dom Bosco, o Prof. Carlos aprendeu com o grande educador  italiano, fundador de uma congregação de salesianos educadores, que a educação é obra do coração. Ao gênio natural para a educação, ele acrescentou este exemplo e esta sabedoria evangélica em favor  de todos os jovens.   E principalmente, a sua luta em transformar a faculdade em Campus Universitário. Carlos Roberto de Oliveira Almeida, é uma pessoa singular e autêntica, como deve ser todos aqueles que são um mito-exemplar. Serenidade, seriedade, calma, amor à profissão e exemplo de mestre, são algumas das características que marcaram a carreira deste professor. Apesar da aposentadoria compulsória – os servidores públicos são obrigados a se aposentarem quando completam 70 anos.  Carlão continuará exercendo seu sacerdócio como professor voluntário (da vida). “Me aposento devido a um dispositivo burocrático, pois me considero em uma das fases mais produtivas e criativas de toda a minha vida. Sempre fui, e continuarei sendo uma pessoa feliz.”

O professor aproveitou a oportunidade para manifestar sua paixão pela docência e pela química. “Ensinar é oferecer, distribuir conhecimento. Nasci para ser engenheiro e professor. E assim ele quer continuar como antes.

Nossos votos de boa sorte nas próximas empreitadas da vida, afinal, para uma pessoa com o discernimento e a ética do professor Carlão, o encerramento de um ciclo é sinônimo de oportunidade para novos desafios.


Pe.Mario Bonatti e Regina Rousseau

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