A NOVELA DA TAMOIOS por Ruth Guimarães

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A NOVELA DA TAMOIOS


Ruth Guimarães

A ligação viária de São Sebastião, no litoral, com a capital do seu próprio Estado, era porta que continuava fechada até o século vinte, devido a desentendimentos políticos. Em 1938 a tropa de sapadores da Força Pública de São Paulo, comandada pelo capitão Armand, abria enfim, após séculos de isolamento, uma estrada que ligou São Sebastião ao Vale do Paraíba, atingindo São José dos Campos.  Aproveitava o antiqüíssimo caminho dos índios, o mesmo caminho por onde transitou o Padre Anchieta.  A pé.


Em 1935 tinha sido construído o cais de carga do porto, oficializado pelo governo do Estado em 1956.

Outro passo foi dado pela Petrobrás que determinou e instalou no porto de São Sebastião o Terminal marítimo para navios petroleiros de até quatrocentas mil toneladas, com calado de 50m, num fundeadouro para 30m de calado.

São Sebastião já foi cidade nobre, conforme atestam os seus velhos prédios coloniais, de sólida estrutura.  É uma cidade onde ainda se vê, a par de uma riqueza de apresentação, de gente que gasta sem contar, que se veste ou se despe magnificamente, toda uma população pobre, subvivendo de empreguinhos mal-remunerados, sem perspectiva de melhoria.

O litoral Norte de São Paulo é servido, pois, pela Rodovia dos Tamoios, estrada estadual SP 59, via Caraguatatuba e São José dos Campos, para o Planalto.  E pela Rodovia Oswaldo Cruz, também estadual, via Ubatuba e Taubaté, ambos os projetos, na avaliação dos entendidos, ruins, frágeis, desprovidos de drenagens, com muitas curvas e rampas que freqüentemente ocasionam o tombamento de veículos de cargas pesadas.  Não têm viadutos, nem são baseadas em aterros.

Estradas para carros de boi.

Desta maneira as dramáticas conseqüências teriam de vir e vieram.  Ainda estão na memória dos caiçaras as calamidades que se abateram sobre a região.  Estou repetindo: o litoral ficou isolado por mar, terra e céu.  Sem comunicação, sem acesso, sem luz, sem comida, sem esperança.  Apenas por inépcia e descaso dos poderes, ficou todo o povo sozinho, em presença da fome, do medo e da morte.

Os prefeitos de São Sebastião, de Caraguatatuba, de Ilha Bela, de Parati e de Angra dos Reis clamam e pedem socorro, até agora, ansiosos e desesperados devido à incessante interrupção do tráfego, principalmente na Tamoios.

O estado crítico das rodovias deixa alarmados não somente prefeitos e população com os seus tarecos, mas também o mundo empresarial do Estado, comércio, indústria, tudo que se apóia no movimento de importação e exportação.

Cada vez que falta assunto para os candidatos que conhecemos, à cata de votos, desenrola-se uma de várias providências: ou mensagens, ou projetos - ou ameaças, seja lá o nome que se dê a essas palhaçadas governamentais; ou se reafirma a retomada das obras de duplicação da Tamoios, o que se enfatiza tratar de obra de precedência máxima; ou então começam os movimentos febris de conserto, tapa-buraco; o conserto a sério (no papel) da buraqueira e de outros inconvenientes.  Os nossos inefáveis políticos já mencionaram até o custo da próxima futura reforma da Tamoios: 170 mi, que talvez venham a ser 170 bi por 53 km de estrada.  O cálculo constou das declarações de José Serra e por aí se verá quanto valem essas contas.

Não é de hoje a novela da Tamoios. Desde o tempo do governador Covas os poderes vêm batendo na mesma tecla.  Todos tocam os tambores das promessas delirantes.  Já se falou na desestatização da rodovia.  Já foi ela classificada mais de uma vez como prioridade.  E nada se faz.

Gente! Estamos jogando fora o Porto de São Sebastião com o desprezo às vias de acesso.  Estamos jogando fora as oportunidades comerciais e industriais do Vale do Paraíba, do resto do Estado e do resto do Brasil. Estamos jogando fora a oportunidade de amenização de custos e portanto da diminuição do custo de vida.

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