O adolescente e a Droga por Paulo Moreira Miguel Psicólogo

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O adolescente e a Droga


[caption id="attachment_2148" align="alignright" width="300"]Paulo Moreira Miguel - PSICÓLOGO CLÍNICO –PSICANALISTA Paulo Moreira Miguel - PSICÓLOGO CLÍNICO –PSICANALISTA[/caption]

A estimativa populacional do IBGE para o ano de 2007 era em torno de 181 milhões de brasileiros, dos quais os jovens entre 15 e 24 anos representavam aproximadamente 20%, isto é, 36 milhões. Com características próprias do adolescente, como: desejo de experimentação, necessidade de pertencer ao grupo, busca de identidade, torna esse grupo etário especialmente suscetível ao abuso de drogas. É necessário salientar que nem todo jovem que experimenta uma droga se tornará um adicto. Há uma somatória de condições que funcionam como fatores favorecedores: o indivíduo em si, o meio ambiente e cada tipo de droga que possa causar adicção. Alguns sinais bastante evidentes podem levantar suspeitas, tais como: diminuição do rendimento escolar, falta à escola, abandono de atividades habituais (especialmente esportes), mudança da aparência física (descuidado ou vestindo roupas não usuais), mudanças de amigos que não apresenta à família, desaparecimento de dinheiro ou itens de valor da casa, acrescentando a isso depressão, ansiedade, agressividade, falta de motivação, alteração drástica dos hábitos de sono. O uso de álcool e tabaco se inicia em idades mais precoces do que as outras drogas e, também, que os usuários regulares de outras drogas começaram pelo álcool e tabaco. No Brasil, na faixa dos 10 aos 12 anos, 12,7% dos estudantes já haviam usado drogas, e quando mais precoce a idade de início, maior o risco de desenvolvimento de dependência. Doenças crônicas impõem, à criança e ao adolescente, fatores adicionais de estresse como limitação de atividades, uso constante de medicação, maior dificuldade de adquirir independência de pais superprotetores, diferenças do grupo, problemas com a própria imagem corporal e angústia pela própria doença, são fatores que pode comprometer o projeto de vida do jovem, desempenhando um papel negativo em seu desenvolvimento. O adolescente é alvo de atenção por ser uma fase suscetível às drogas e de crise de identidade, marcada por profundas mudanças, de busca de novos valores pessoais, com a tentativa de distanciamento dos pais e construção de uma identidade independente. A criança e o adolescente só podem ser compreendidos a partir da relação entre eles e o mundo que os rodeia, ou seja, a partir da cultura na qual estão inseridos. As condições históricas, políticas e culturais participam da construção de interioridade da criança do adolescente, na medida que há um processo de apropriação do mundo exterior, constituindo o interior de cada indivíduo. As mudanças na cultura têm implicações em como a subjetividade é construída no individuo. O psiquismo se constrói nas experiências vividas, por meio dos conhecimentos adquiridos, dos valores e das informações transmitidas pela tradição e também pela mídia, pela educação e pela ciência. Existe também uma tendência a se promoverem relações mais igualitárias entre adultos, crianças e adolescentes. As relações familiares se baseiam no conceito de mais dialogo, participação, igualdade, afeição e compreensão por parte dos adultos, onde os pais atraídos por um imaginário social de juventude, disfarçam a sua idade, abandonando a autoridade: “meus filhos são meus amigos”, instalando-se uma ideologia igualitária, e às vezes se instaura, até mesmo em alguns aspectos, uma superioridade das crianças e adolescentes em relação aos adultos, como a situação de lidar com novas tecnologias, a exemplo dos computadores. A cultura de hoje é a cultura de evitar conflitos, do suavizar o que é penoso, substituindo o certo e o errado por relações humanas. O amor e a disciplina não são mais colocados na mesma pessoa, poupando-se o relacionamento de conflitos. Os pais são questionados no que fazem de errado e as crianças e os jovens querem ter apenas ter direitos. A felicidade se iguala à posse de bens materiais. Os objetos que se possui são projeções do eu e a imagem é algo que chama a atenção e define posições sociais. O uso de drogas na adolescência pode ser também um sintoma que denuncia as dificuldades familiares. Podendo ser uma dificuldade de separação do filho de seus pais e vice-versa, repetindo assim a relação de ambivalência do adolescente e seus pais: a necessidade de independência e ao mesmo tempo de se manter numa condição de proteção da família; muitas vezes, na dificuldade de os pais aceitarem essa nova situação, a toxicomania se apresenta aí como uma possibilidade de se manter o adolescente dependente da família, necessitando assim, de ser cuidado por ela, não se efetuando de fato a separação natural para a idade. O dependente químico por algum motivo, por alguma dinâmica familiar, é chamado a interrogar o pai e assim interroga a legitimidade do discurso paterno. A dependência química não é como uma enfermidade nem um sintoma, é uma solução que o sujeito encontra.

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